Os bancos brasileiros estão reinventando a forma como atendem e inovam, unindo ambientes físicos vibrantes e tecnologia de ponta para proporcionar vivências únicas aos clientes e colaboradores.
O conceito de realidade híbrida surge da fusão entre físico e digital para criar espaços de trabalho e atendimento que combinam a essência de agências tradicionais com conceitos de tecnologias imersivas inovadoras. Após o período de trabalho remoto intenso, as instituições financeiras buscam renovar suas estruturas físicas para que elas funcionem como verdadeiros hubs de colaboração e de experiência do cliente.
Essa abordagem reflete tendências globais observadas em centros financeiros como Nova York e Londres, onde agências modernas buscam ser pontos de convivência e de inovação. No Brasil, o movimento intensifica-se a partir de 2024, com investimentos em RA e VR, e a expectativa é que até 2026 o setor bancário tenha ampliado em 60% o número de projetos imersivos em suas unidades físicas.
Essa estratégia contempla não apenas a volta aos escritórios, mas também a incorporação de ambientes virtuais, realidade aumentada e metaverso às operações diárias. O objetivo é criar uma jornada integrada, capaz de atrair talentos, aumentar a eficiência e fortalecer o engajamento com o público.
O Nubank protagoniza uma das maiores transformações no setor bancário, anunciando um plano de expansão física que coexistirá com o modelo remoto consolidado desde sua fundação. Em 2026, a empresa inicia a implantação de estações presenciais em grandes centros, seguindo um cronograma gradual até 2027.
A partir de julho de 2026, os funcionários cumprirão 2 dias por semana presencial nos escritórios, evoluindo para 3 dias em janeiro de 2027. Esta medida atingirá 70% das áreas, criando um modelo que equilibra home office e colaboração para estimular a inovação.
Com valor de mercado de US$ 87,4 bilhões, as ações ROXO34 reagiram positivamente, registrando alta de 4% em 2026. A estratégia global inclui a abertura de escritórios em Miami, apontada como a "nova Wall Street", reforçando a ambição de posicionar o Nubank no epicentro financeiro mundial.
Para o CEO David Vélez, "Nos últimos cinco anos, o Nubank prosperou em um ambiente prioritariamente remoto... planejamos trazer os Nubankers de volta ao trabalho em equipe presencial, dentro de escritórios vibrantes". Já Lívia Chanes destaca que investir em espaços físicos impulsiona a capacidade de inovação interna.
Apesar do entusiasmo, a iniciativa enfrentou resistência: doze colaboradores foram desligados após críticas ao híbrido, e o Sindicato dos Bancários exigiu esclarecimentos. Simultaneamente, o Nubank amplia sua presença em São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, além de filiais em Nova York, Berlim e Miami.
Além da era híbrida nos escritórios, as agências físicas também se transformam em ambientes de imersão tecnológica. Bancos e empresas de tecnologia financeira oferecem experiências que aproximam o cliente dos bastidores das operações, aprimoram o treinamento de equipes e promovem uma comunicação diferenciada.
No estande da Tecban na FEBRABAN TECH 2024, tecnologias como entintamento passivo, LinkBooster (4G/5G) e BetterWAN (SD-WAN) foram apresentadas, ilustrando a integração físico-digital altamente avançada que redefine a experiência de autoatendimento.
O Banco do Brasil também explora formatos inusitados, como o abrigo de ônibus na Av. Paulista transformado em um ponto interativo, e o túnel de LED no estacionamento-mall, criando narrativas visuais que unem arte, tecnologia e serviços bancários.
A VRGlass tem demonstrado que consultas virtuais em realidade virtual podem reduzir em 30% o tempo de atendimento, além de permitir treinamentos imersivos para funcionários, com cenários realistas que simulam situações de risco e segurança operacional.
O ano de 2026 aponta para uma consolidação de tecnologias emergentes e novos modelos de negócios. Entre as principais tendências do mercado financeiro brasileiro, destacam-se:
Os desafios também são intensos. A resistência das equipes internas às mudanças, o elevado custo de expansão física e a complexidade regulatória exigem planejamento estratégico e diálogo aberto entre lideranças e sindicatos. A mitigação de riscos de fraude e lavagem de dinheiro, aliada ao investimento em cibersegurança, será determinante para o sucesso das iniciativas.
Ainda em 2026, a regulação tende a endurecer, com novas diretrizes para prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro. As instituições devem investir em sistemas de detecção comportamental baseados em machine learning, além de reforçar áreas de compliance e auditoria interna.
Vislumbrar o futuro implica pensar em ambientes virtuais digitais persistentes, onde clientes e funcionários transitem livremente entre espaços físicos e realidades aumentadas. O metaverso bancário poderá se consolidar como uma extensão das agências, oferecendo salas de reunião virtuais, consultorias financeiras e workshops imersivos.
Cidades como Miami se preparam para se tornar polos globais de finanças imersivas, integrando infraestrutura física com plataformas virtuais avançadas. Nesse cenário, os bancos que souberem equilibrar inovação, segurança e experiência do cliente terão vantagem competitiva.
Empresas que adotarem esse modelo híbrido imersivo poderão oferecer experiências exclusivas como investimentos gamificados no metaverso, eventos virtuais de lançamento de produtos e aplicativos de assistentes financeiros em AR, criando soluções verdadeiramente centradas no usuário.
A realidade híbrida nos bancos é mais do que uma adaptação ao pós-pandemia: é o próximo passo na evolução do setor financeiro. Ao combinar escritórios corporativos vibrantes e conectados e experiências imersivas, as instituições estarão prontas para um novo capítulo de colaboração, criatividade e inclusão.
Referências