Em tempos de desafios econômicos, alternativas surgem para fortalecer o tecido social e manter a riqueza circulando no território. As moedas sociais digitais têm se destacado como instrumentos poderosos que, aliados à tecnologia e à organização comunitária, promovem inclusão e solidariedade local.
Ao aderir a uma moeda social digital, o usuário converte reais em créditos locais com paridade fixa de 1:1. Por exemplo, ao depositar R$ 100, ele recebe 100 unidades da moeda comunitária e passa a gastar esse saldo em estabelecimentos cadastrados na região.
Essas iniciativas são geridas por bancos comunitários de desenvolvimento, organizações sem fins lucrativos que aplicam princípios de economia solidária. Grande parte das operações ocorre via apps e plataformas digitais, tornando o processo ágil e transparente.
As moedas sociais digitais atuam como catalisadoras de transformação. Elas ajudam a criar uma economia local mais resiliente, retendo valor e estimulando a circulação de recursos entre vizinhos e comerciantes.
Ao reduzir a dependência de grandes cadeias, essas iniciativas geram oportunidades e fortalecem redes de cooperação. A inclusão de pessoas sem conta bancária também é um pilar central, garantindo acesso simplificado a meios de pagamento.
Para entender o diferencial das moedas sociais digitais, vale compará-las com criptomoedas e formas tradicionais de dinheiro digital.
O Projeto de Lei 4476/2023 estabelece normas para as moedas sociais digitais, conferindo-lhes base legal e segurança. A proposta prevê certificação pelo Ministério do Trabalho e Emprego via Senaes e requisitos de transparência robustos.
Após a sanção, moedas não conformes terão dois anos para se ajustar às novas regras, garantindo governança clara e prestação de contas pública.
O pioneiro Banco Palmas, em Fortaleza (CE), criou a moeda Palmas na década de 1990, inspirando dezenas de outras iniciativas. Hoje, já são mais de 180 moedas sociais digitais ativas em 152 bancos comunitários, beneficiando 250 mil usuários e 27 mil estabelecimentos.
Projetões para 2025-2027 indicam o surgimento de mais 180 moedas, expansão de programas municipais e integração com políticas sociais federais. A expectativa é movimentar ainda mais de R$ 2 bilhões ao ano.
A digitalização plena, exigida pelo novo marco, desafia algumas comunidades que ainda trabalham com notas físicas. A migração para sistemas baseados em blockchain demanda capacitação e recursos tecnológicos.
Ao mesmo tempo, abre-se a possibilidade de participação ativa da comunidade local no desenvolvimento de soluções open source, fortalecendo a autonomia e a adaptabilidade de cada projeto.
As moedas sociais digitais representam muito mais do que instrumentos de pagamento: são símbolos de cooperação, criatividade e esperança. Cada transação é uma oportunidade de aproximar pessoas, desenvolver negócios locais e construir um modelo econômico centrado na solidariedade comunitária.
Adotar essa solução é dar voz ao território, fortalecer laços e comprovar que, quando a comunidade se une, o verdadeiro poder está no bolso de cada cidadão.
Referências