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Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs): A Nova Frente Financeira

Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs): A Nova Frente Financeira

26/02/2026 - 12:18
Fabio Henrique
Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs): A Nova Frente Financeira

Ao longo dos últimos anos, testemunhamos a rápida evolução do dinheiro: de ativos digitais voláteis a instrumentos estáveis emitidos por entidades privadas, até chegar às moedas digitais oficiais. Hoje, os bancos centrais lideram uma revolução que promete redesenhar o sistema financeiro global.

O Que São CBDCs?

As CBDCs são a forma digital da moeda fiduciária, emitidas e garantidas pelo banco central de cada país. Diferentemente das criptomoedas, elas têm estabilidade respaldada pelo Estado e servem para transações cotidianas.

Elas se distinguem de outros ativos digitais pelos seguintes pontos:

  • Garantia estatal direta, ao contrário de criptoativos descentralizados.
  • Foco em pagamentos em tempo real para pessoas e empresas.
  • Integração com infraestrutura existente de bancos e sistemas de pagamento.

Panorama Global

Segundo o BIS, 94% dos bancos centrais estudam ou exploram CBDCs, mas apenas 11 países já lançaram seus projetos plenamente. Mais de 30 nações estão em fase de testes, e a adoção global enfrenta desafios técnicos e regulatórios.

No front-runner, a China lançou o e-CNY em 2023, alcançando 20% do comércio bilateral com a Rússia em 2025. A Rússia, por sua vez, introduziu o rublo digital em janeiro de 2025, buscando contornar sanções internacionais.

O Caso do Brasil: Drex, o Real Digital

No Brasil, o Banco Central lançou o projeto Drex para testar o ‘Pix dos serviços financeiros’. Inspirado no real tradicional, o Real Digital visa usos que vão além de simples pagamentos entre pessoas.

Principais características do Drex:

  • Mesma paridade com o real físico; emissão exclusiva na plataforma Drex.
  • Transações seguras com ativos digitais, liquidadas via intermediários regulados.
  • Foco em exportações, como operações de minério de ferro com a China.

O lançamento está previsto para 2025, com fases de testes até 2024 e implementação gradual em até três anos, dependendo de aprovação legislativa.

Desafios e Considerações

Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e a adoção de CBDCs enfrentam barreiras:

  • Proteção de dados e anonimato do usuário versus obrigação de compliance.
  • Escalabilidade das plataformas para suportar milhões de transações.
  • Governança e papel de intermediários tradicionais no ecossistema.

O bilionário Ray Dalio alerta para riscos de privacidade se não houver salvaguardas robustas. Além disso, há necessidade de coordenação entre países para evitar fragmentação e garantir interoperabilidade segura.

Impactos Geoeconômicos e Futuros Cenários

A adoção de CBDCs pode acelerar a desdolarização, especialmente no contexto BRICS+. A plataforma BRICS Pay, prevista para 2026, interconectará diversas moedas digitais, reduzindo a dependência do dólar em até 15% do comércio global até 2030.

O Brasil pode se posicionar como hub de integração América Latina-Ásia, usando o Drex para consolidar fluxos de commodities e fortalecer sua soberania monetária.

Entre os benefícios esperados estão:

  • Redução de custos operacionais com dinheiro físico.
  • Modernização dos sistemas de pagamento e liquidação.
  • Promoção da inclusão financeira por meio de smartphones.

Enquanto muitos países avançam a passos cautelosos, a construção de CBDCs se dá de forma gradual e experimental. O Brasil, alinhado a essa tendência, poderá colher vantagens competitivas ao equilibrar inovação, estabilidade e controle.

Em suma, as moedas digitais de bancos centrais representam uma nova fronteira financeira, onde a tecnologia e a soberania monetária se unem para redesenhar o panorama econômico global.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fábio Henrique, 32 anos, é redator especializado em finanças no passonovo.org, com foco em desmistificar o mercado de crédito e ajudar brasileiros a tomarem decisões mais informadas sobre suas finanças pessoais.