Ao longo dos últimos anos, testemunhamos a rápida evolução do dinheiro: de ativos digitais voláteis a instrumentos estáveis emitidos por entidades privadas, até chegar às moedas digitais oficiais. Hoje, os bancos centrais lideram uma revolução que promete redesenhar o sistema financeiro global.
As CBDCs são a forma digital da moeda fiduciária, emitidas e garantidas pelo banco central de cada país. Diferentemente das criptomoedas, elas têm estabilidade respaldada pelo Estado e servem para transações cotidianas.
Elas se distinguem de outros ativos digitais pelos seguintes pontos:
Segundo o BIS, 94% dos bancos centrais estudam ou exploram CBDCs, mas apenas 11 países já lançaram seus projetos plenamente. Mais de 30 nações estão em fase de testes, e a adoção global enfrenta desafios técnicos e regulatórios.
No front-runner, a China lançou o e-CNY em 2023, alcançando 20% do comércio bilateral com a Rússia em 2025. A Rússia, por sua vez, introduziu o rublo digital em janeiro de 2025, buscando contornar sanções internacionais.
No Brasil, o Banco Central lançou o projeto Drex para testar o ‘Pix dos serviços financeiros’. Inspirado no real tradicional, o Real Digital visa usos que vão além de simples pagamentos entre pessoas.
Principais características do Drex:
O lançamento está previsto para 2025, com fases de testes até 2024 e implementação gradual em até três anos, dependendo de aprovação legislativa.
Apesar dos benefícios, o desenvolvimento e a adoção de CBDCs enfrentam barreiras:
O bilionário Ray Dalio alerta para riscos de privacidade se não houver salvaguardas robustas. Além disso, há necessidade de coordenação entre países para evitar fragmentação e garantir interoperabilidade segura.
A adoção de CBDCs pode acelerar a desdolarização, especialmente no contexto BRICS+. A plataforma BRICS Pay, prevista para 2026, interconectará diversas moedas digitais, reduzindo a dependência do dólar em até 15% do comércio global até 2030.
O Brasil pode se posicionar como hub de integração América Latina-Ásia, usando o Drex para consolidar fluxos de commodities e fortalecer sua soberania monetária.
Entre os benefícios esperados estão:
Enquanto muitos países avançam a passos cautelosos, a construção de CBDCs se dá de forma gradual e experimental. O Brasil, alinhado a essa tendência, poderá colher vantagens competitivas ao equilibrar inovação, estabilidade e controle.
Em suma, as moedas digitais de bancos centrais representam uma nova fronteira financeira, onde a tecnologia e a soberania monetária se unem para redesenhar o panorama econômico global.
Referências