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Impacto da Taxa Selic nos Financiamentos: O Que Mudar?

Impacto da Taxa Selic nos Financiamentos: O Que Mudar?

08/02/2026 - 03:44
Felipe Moraes
Impacto da Taxa Selic nos Financiamentos: O Que Mudar?

Em fevereiro de 2026, a taxa Selic em 15% ao ano alcançou seu nível mais alto em quase 20 anos. Mantida pelo Copom do Banco Central em um contexto de inflação persistentemente acima da meta, essa decisão repercute diretamente em empréstimos, financiamentos e no ritmo de recuperação econômica.

Este artigo explora as consequências imediatas e futuras dessa política monetária, oferecendo insights práticos para consumidores, empresas e investidores que buscam oportunidades ou precauções diante de possíveis cortes.

O que é a Selic e como ela influencia os financiamentos

A Selic é a taxa básica de juros que orienta todas as operações financeiras no Brasil. Quando o Banco Central define essa taxa, bancos e instituições de crédito ajustam suas taxas de empréstimos e financiamentos de acordo com esse referencial.

Na prática, um aumento na Selic torna o crédito mais caro, reduz o apetite por empréstimos e freia o consumo. Já cortes na taxa tendem a estimular a economia por meio de taxas menores e maior poder de compra.

Impactos atuais no mercado de crédito

Com a Selic em 15%, diversos segmentos sentem o peso do custo elevado do dinheiro:

  • Crédito imobiliário: taxas a partir de 11,29% ao ano somadas à TR, gerando custo efetivo acima de 13% a.a. e reduzindo o número de operações aprovadas.
  • Financiamento de veículos: juros na casa dos 27,6% a.a., ainda que as vendas internas tenham crescido modestamente, o acesso ao crédito segue restrito.
  • Capital de giro para PMEs: custos elevados e inadimplência crescente, especialmente em setores intensivos em capital.

O resultado é uma retração no volume de empréstimos: as operações imobiliárias com recursos da poupança caíram 17,1% entre janeiro e novembro de 2025, enquanto a captação líquida foi negativa em R$ 67,5 bilhões.

Projeções para corte de juros e suas consequências

Mercado e analistas projetam Selic em 12,25% ao ano até o final de 2026, com início de cortes já em março. Essa expectativa reacende debates sobre o crédito imobiliário e o aprimoramento do ambiente econômico.

Com juros mais baixos, podemos antever:

  • Redução do spread bancário e barateamento de prestações.
  • Retomada de lançamentos no setor da construção civil.
  • Maior oferta de crédito para veículos e capital de giro.

Embora o cenário político e os gastos públicos em ano eleitoral representem riscos de nova pressão inflacionária, a possibilidade de queda gradual nos juros traz um fôlego para consumidores e empresas.

Casos específicos: setores e comparação

Veja abaixo uma comparação dos impactos atuais com as expectativas após cortes:

Medidas governamentais e programas de suporte

Para amenizar o efeito da Selic alta, o governo adotou iniciativas estratégicas:

  • Ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, beneficiado por subsídios e uso de FGTS.
  • Liberação de R$ 35 bilhões do compulsório da poupança para crédito habitacional em 2026.
  • Aumento do teto do SFH de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, facilitando o uso do FGTS na entrada e amortização.

Essas ações atuam como colchão de liquidez para famílias e construtoras, contribuindo para a manutenção de lançamentos e aprovações mesmo em ambiente de juros elevados.

Dicas práticas para consumidores e empresas

Diante desse cenário, é fundamental adotar estratégias que preservem recursos e aproveitem oportunidades:

Para Consumidores:

  • Avaliar financiamento apenas após confirmação de cortes, buscando menores taxas.
  • Comparar ofertas de diferentes bancos e cooperativas de crédito.
  • Considerar prazos mais curtos para reduzir o custo total do empréstimo.

Para Empresas:

  • Renegociar linhas de capital de giro para aproveitar possíveis reduções de juros.
  • Planejar investimentos de médio prazo conforme a curva projetada da Selic.
  • Buscar parcerias financeiras que ofereçam condições diferenciadas em cartão de crédito e carnês.

Caso a queda da Selic se confirme, empresas de construção podem retomar projetos parados e gerar empregos, enquanto PMEs ganham fôlego para expandir operações.

Conclusão e perspectivas para 2026

O atual patamar da Selic reflete o esforço do Banco Central para conter a inflação. No entanto, as projeções de redução trazem esperança de um ambiente de crédito mais acessível, capaz de impulsionar a retomada de diversos setores.

Para consumidores, o momento exige paciência e pesquisa de mercado. Para empresas, planejamento e renegociação podem resultar em ganhos de competitividade. E, no âmbito governamental, a manutenção de programas sociais e a liberação de recursos são fundamentais para sustentar o crescimento.

Em 2026, o equilíbrio entre o controle inflacionário e o estímulo ao crédito será decisivo para determinar se o Brasil entrará em um novo ciclo de expansão ou continuará enfrentando desafios de liquidez e investimento.

Felipe Moraes

Sobre o Autor: Felipe Moraes

Felipe Moraes, 40 anos, é planejador financeiro certificado no passonovo.org, especialista em auxiliar famílias de classe média com planos de poupança e investimento para uma aposentadoria segura e estável.