Em um mundo cada vez mais conectado e orientado por dados, a forma como interagimos com serviços financeiros passa por uma transformação profunda.
A hiperpersonalização financeira surge como resposta à demanda por soluções sob medida, capazes de entender o cliente de forma única.
Por meio de recursos avançados, instituições financeiras estão aptas a redefinir a experiência do usuário e a gerar valor para negócios e sociedade.
O termo hiperpersonalização refere-se ao emprego sofisticado de inteligência artificial e algoritmos para criar experiências altamente personalizadas.
Diferentemente da personalização tradicional, que se baseia em dados demográficos ou segmentações amplas, a hiperpersonalização analisa dados em tempo real, comportamentos contextuais e preferências implícitas.
Isso permite oferecer ao cliente produtos, serviços e recomendações afinadas com seu momento de vida e objetivos financeiros.
Ao combinar essas tecnologias, instituições podem reagir em segundos às demandas individuais, promovendo interações mais eficientes e relevantes.
Em fevereiro de 2026, o Brasil comemorou cinco anos de Open Finance, consolidado como o maior ecossistema de Open Finance do mundo.
Com mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas e 154 milhões de consentimentos ativos, o sistema aumentou em 143% os consentimentos únicos entre 2024 e 2025.
Esses números refletem uma revolução na maneira como dados financeiros são compartilhados e explorados para gerar valor para usuários e instituições.
Bancos e fintechs vêm adotando a hiperpersonalização em múltiplos pontos de contato com o cliente, garantindo soluções precisas:
Por meio dessas iniciativas, clientes se sentem compreendidos e motivados a usar cada vez mais os serviços digitais.
O mercado global de hiperpersonalização atingiu US$ 12,5 bilhões em 2024, com previsão de alcançar US$ 32 bilhões até 2033.
No Brasil, a Febraban registrou um crescimento de 116% no volume de chamadas de APIs em 2024, reflexo direto do avanço do Open Finance.
Em termos operacionais, instituições relatam melhora de 12% na eficiência, graças à automação e às interações contextuais mais assertivas.
Essas vantagens se traduzem em maior rentabilidade e fidelização, tornando a hiperpersonalização um diferencial difícil de copiar.
No Brasil, 35,3 milhões de adultos ainda são "invisíveis" ao sistema financeiro, sem histórico de contas ou cartão de crédito.
Destes, 80,5% não possuem negativação, mas enfrentam barreiras para acessar crédito. A faixa etária mais afetada é a de 21 a 30 anos, e os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram o maior contingente.
Ao aplicar modelos de avaliação de risco alternativos, com base em comportamentos digitais e dados de Open Finance, instituições podem incluir esse público, gerando impacto social e negócios.
Plataformas modernas combinam Big Data, IA e automação inteligente para sustentar a hiperpersonalização.
Elas garantem qualidade nos dados, aprendizado contínuo dos modelos e escalabilidade, permitindo ampliar a precisão das ofertas conforme o número de clientes cresce.
Hoje, 66% dos brasileiros usam aplicativos para pagamentos, refletindo migração de canais presenciais para o digital.
Agências físicas perderam relevância, e interfaces intuitivas passaram a ser essenciais para engajar diferentes perfis, desde nativos digitais até idosos.
Ferramentas como Pix, Open Finance e o projeto do Real Digital compõem a trajetória de evolução dos serviços financeiros.
Cada etapa oferece dados e aprendizados que podem ser aproveitados para personalizar ofertas, antecipar necessidades e estreitar o vínculo com o cliente.
Nos próximos anos, a hiperpersonalização deve avançar com maior autonomia dos assistentes virtuais, interfaces por voz e integração de wearables.
Organizações que colocarem o cliente no centro, investindo em análise preditiva e adaptação contínua, estarão à frente, entregando valor real e promovendo inclusão financeira.
A hiperpersonalização financeira não é mais uma tendência distante: é o caminho para serviços mais humanos, eficientes e inclusivos na era digital.
Referências