Em um cenário de transformação do crédito imobiliário, é fundamental compreender como as projeções e novidades regulatórias podem impactar diretamente o acesso ao sonho da casa própria. Este artigo traz insights valiosos para planejar com segurança e aproveitar as melhores oportunidades em 2026.
O setor imobiliário brasileiro registrou crescimento modesto de 3% em 2025, alcançando um volume de R$ 324 bilhões em financiamentos. Para 2026, a Abecip projeta um salto de 16% em novos contratos, impulsionado por fatores macroeconômicos e mudanças no modelo de funding.
As concessões via SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) totalizaram R$ 156,3 bilhões em 2025, com 458 mil unidades financiadas. Para o ano seguinte, a estimativa é de R$ 180 bilhões, representando um crescimento de 15% no valor.
Já os financiamentos habitacionais a partir do FGTS devem chegar a R$ 145 bilhões, avanço de 5% em relação ao ano anterior. Essa modalidade é crucial para famílias de baixa renda e programas sociais, garantindo acesso facilitado à moradia.
Entretanto, o saldo da poupança recuou 0,9% em 2025, fechando em R$ 766 bilhões. Sua participação no funding total passou de 32% para 29%, enquanto o CRI subiu de 9% para 10%, mostrando diversificação nas fontes de recursos.
Em outubro de 2025, o Banco Central liberou R$ 38 bilhões de compulsório, reduzindo custos de captação para as instituições. Esse movimento favoreceu a queda nas taxas de juros para pessoa física e estabeleceu as bases para um modelo mais sustentável de crédito.
O plano de transição para o SFH prevê liberação gradual de 20% dos recursos antes retidos, começando com 3% em 2026 e acréscimo de 1,5 ponto percentual anualmente até zerar o compulsório em dez anos. As instituições financeiras devem manter concessões equivalentes ao montante liberado, garantindo fluxo constante de crédito.
Além disso, o incentivo à emissão de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) visa diversificar o funding. Injeção de recursos em títulos alternativos traz maior flexibilidade para bancos e incorpora investimentos de investidores institucionais.
Essa modernização, em fase experimental até 2027, propõe destinar 5% dos recursos de longo prazo para financiamentos de até 30 anos, apoiando famílias que buscam prazos maiores e parcelas mais suaves.
Organizar-se financeiramente antes de iniciar o processo de contratação de crédito é essencial. Avalie o cenário de taxas de juros, programações de pagamentos e condições dos principais programas habitacionais.
O momento ideal para contratar pode variar conforme o perfil financeiro e as metas de longo prazo de cada família. Consulte sempre um especialista antes de fechar o contrato.
Apesar das perspectivas otimistas, o mercado de crédito apresenta pontos de atenção. A inadimplência em famílias, micro e pequenas empresas e no setor rural passou de 8%, exigindo cuidados na análise de risco por parte dos bancos.
O número de retomadas de unidades residenciais pela Caixa caiu 33,4% em unidades no 1º trimestre de 2025, reflexo de desemprego controlado e maior oferta de seguros, mas ainda representa R$ 1,15 bilhão em valor retomado.
O recuo de 0,90% no gasto das famílias com habitação, registrado em agosto de 2025 pelo IBGE, indica que a renda não acompanhou integralmente a elevação de custos, reduzindo a capacidade de pagamento em alguns segmentos.
O programa Minha Casa, Minha Vida continua relevante. Em São Paulo, foram lançadas 17.911 unidades no 2º trimestre de 2025, aumento de 11,7% em relação ao ano anterior, com VGV de R$ 5,1 bilhões. Políticas municipais de incentivo e ajustes de preços em 2023 estimularam esse desempenho.
O foco nas faixas 1 e 2 beneficiou famílias de baixa renda. Empresas do setor planejam a produção de 12 mil casas por ano, respondendo à demanda por moradia social e gerando emprego em toda a cadeia construtiva.
O ano de 2026 se apresenta como uma oportunidade única de consolidar o sonho da casa própria, apoiado por projeções de crescimento e mudanças positivas na estrutura de crédito. Para garantir seu futuro com segurança, é fundamental planejar, diversificar fontes de financiamento e buscar programas sociais adequados ao seu perfil.
Esteja atento às decisões do Copom, ao andamento do modelo experimental de funding e às evoluções tecnológicas que simplificam a contratação. Com informação e estratégia, cada família pode trilhar um caminho sólido rumo à estabilidade habitacional.
Prepare-se para aproveitar as melhores condições e transformar o financiamento imobiliário em um alicerce para realizações de longo prazo em sua vida.
Referências