O ecossistema financeiro embutido tem revolucionado o varejo brasileiro, permitindo que grandes e pequenos comerciantes ofereçam crédito próprio, carnês digitais e consórcios diretamente ao cliente. Esta transformação impulsiona vendas, reduz custos e abre portas para a expansão, tanto em lojas físicas quanto digitais.
Desde os anos 1950, com carnês tradicionais do Mappin e Casas Bahia, até a fintechzação acelerada em 2026, o financiamento interno evoluiu constantemente. As varejistas perceberam que controlar a oferta de crédito reduz a dependência de bancos e melhora a experiência do consumidor.
Atualmente, o crediário voltou a crescer em razão dos juros elevados e do limite comprometido nos cartões. Enquanto isso, iniciativas de carnê digital e consórcios inteligentes atraem classes C e D, que buscam alternativas de pagamento flexíveis.
Especialistas estimam que, em 2026, as grandes redes poderão ofertar até R$ 83 bilhões em crédito, gerando R$ 24 bilhões em receita por meio de serviços financeiros embutidos, com crescimento médio de 12,2% ao ano nos últimos cinco anos.
A Ademicon, líder em consórcios, planeja comercializar R$ 65 bilhões em créditos e alcançar 400 lojas licenciadas até 2030. Em 2025, já eram mais de 300 unidades distribuídas em 24 estados, no Distrito Federal e até nos EUA.
O setor de consórcios movimentou R$ 467 bilhões entre janeiro e novembro de 2025 (+31,9% vs. 2024), com 4,78 milhões de adesões (+14,6%). Enquanto isso, a Magazine Luiza registrou R$ 5,7 bilhões em contas a receber de cartões em dezembro de 2024, e um TPV de R$ 16,3 bilhões no quarto trimestre, com vendas via Cartão Luiza/Magalu de R$ 8 bilhões no ano.
Oferecer crédito próprio traz diversas vantagens competitivas:
Para pequenos varejistas, a adoção de soluções white label e consórcios planejados assemelha-se a um investimento em escala sustentável, proporcionando flexibilidade financeira e ensino de educação financeira ao cliente.
Em setembro de 2026, o Banco Central lançará o Pix Parcelado, permitindo parcelamentos com acréscimo para o pagador e recebimento instantâneo para o recebedor, diminuindo taxas e estimulando a competição.
A regulamentação de fintechs segue ampliando o SEP (scope of permissible operations), com produtos de empréstimo até R$ 15 mil, seguros e moeda eletrônica sem necessidade de autorização completa do BC em certos casos. Biometria em pagamentos e franquias financeiras baratas ganham espaço, oferecendo independência a pequenos empreendedores.
A tabela abaixo apresenta exemplos de empresas que impulsionaram sua expansão por meio de soluções financeiras próprias:
Estas estratégias exemplificam como o financiamento interno pode ser o motor de crescimento, permitindo que cada rede adapte o modelo ao seu público e capacidade de investimento.
À medida que o mercado de embedded finance cresce sem precedentes, varejistas de todos os tamanhos devem avaliar a adoção de soluções financeiras próprias para expandir sua presença e fortalecer o relacionamento com o cliente.
Investir em tecnologia, parcerias com fintechs e programas de educação financeira são pontos-chave para garantir sustentabilidade e competitividade. A chegada de novas regulamentações e o avanço de ferramentas como Pix Parcelado e biometria prometem transformar ainda mais o cenário, abrindo oportunidades para inovação constante.
Em 2026 e além, o financiamento de lojas deixa de ser apenas um diferencial e se torna um elemento essencial para crescer em um mercado cada vez mais dinâmico e centrado no consumidor.
Referências