Em um mundo em constante transformação, novas formas de organização surgem para responder aos desafios da democracia tradicional. As Decentralized Autonomous Organizations (DAOs) representam inovação digital para participação cidadã, usando a blockchain e smart contracts para distribuir poder e voz de maneira inédita.
Este artigo explora como as experiências brasileiras de governança participativa servem de base conceitual para a implantação de DAOs mais inclusivas, sustentáveis e eficientes.
As DAOs são estruturas organizacionais autônomas, definidas por regras codificadas em smart contracts. Elas permitem que membros tomem decisões coletivas, com votação tokenizada, sem depender de hierarquias tradicionais.
Ao usar a blockchain, garantem tomada de decisão descentralizada e transparente e rastreabilidade de cada proposta. Essas características tornam-nas ideais para iniciativas que buscam combinar tecnologia e democracia real.
Processos como a 1ª Conferência Nacional ODS, a governança da Wikimedia Brasil e os Núcleos de Cooperação Socioambiental em Itaipu mostram como a participação pode ser multiestatal e digital.
Esses exemplos revelam construção de um futuro sustentável compartilhado por meio de etapas locais, digitais e federadas, engajando jovens, povos tradicionais e sociedade civil.
Estes modelos demonstram como empoderamento coletivo através da tecnologia blockchain pode fortalecer redes de redes e cooperação Sul-Sul.
As DAOs trazem inúmeras vantagens, mas também exigem atenção a riscos e desigualdades.
Por outro lado, surgem desafios como segurança de smart contracts, concentração de tokens e barreiras tecnológicas.
Para lançar uma organização descentralizada que funcione, é preciso planejar fases e ferramentas com clareza.
É fundamental inspirar-se em metodologias já testadas no Brasil, como consultas públicas em plataformas oficiais e grupos de trabalho presenciais e virtuais.
As DAOs abrem caminho para uma governança transparente e colaborativa para todos, onde cada voz conta de forma igualitária.
Como disse Érica Azzellini, presidente da Wikimedia Brasil: “O futuro precisa ser imaginado coletivamente, ele precisa ser feito a muitas mãos.”
Imaginamos um ecossistema global de DAOs que atuem por direitos humanos, sustentabilidade e inclusão, espelhando a gestão compartilhada em territórios da Amazônia e os processos federados no ODS.
Para organizações, coletivos e governos interessados em DAOs, recomendamos:
Ao unir lições da governança participativa tradicional com a tecnologia blockchain, podemos edificar novos modelos de decisão coletiva, mais justos, inclusivos e resilientes.
Agora é o momento de explorar o potencial das DAOs, transformando promessas em práticas concretas para uma democracia renovada.
Referências