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Conhecendo os COE: Certificados de Operações Estruturadas

Conhecendo os COE: Certificados de Operações Estruturadas

13/02/2026 - 17:49
Fabio Henrique
Conhecendo os COE: Certificados de Operações Estruturadas

Os Certificados de Operações Estruturadas (COE) surgiram como uma alternativa poderosa para investidores que buscam conciliar segurança de renda fixa com potencial de ganhos expressivos. Neste artigo, você descobrirá como funciona esse produto, seus tipos, vantagens, riscos e como escolher a melhor opção para o seu perfil.

O que são COEs?

O COE é um instrumento financeiro que combina características de renda fixa e variável em um único título. Muitas vezes chamado de "Notas Estruturadas", ele agrupa obrigações e direitos em uma emissão única, oferecendo transparência e simplicidade ao investidor.

Em sua essência, parte do capital é aplicado em ativos de baixo risco, enquanto o restante busca ganhar exposição a mercados acionários, câmbio ou commodities. Esse modelo permite ao investidor conhecer, de antemão, cenários de retorno e perdas possíveis.

Histórico e evolução no Brasil

O COE foi lançado em 2010 e começou a ser oferecido publicamente em 2016. Desde então, ganhou espaço tanto entre investidores iniciantes quanto experientes. A regulamentação pelo CMN, especialmente pelas Resoluções nº 4.263/2013 e 5.166/2024, garantiu padrões de qualidade e transparência.

Hoje, instituições como bancos múltiplos, comerciais e de investimento, além de caixas econômicas, podem emitir COEs, todos obrigatoriamente registrados na Cetip. Esse registro assegura a custódia e monitoramento dos papéis, reforçando a confiabilidade do produto.

Funcionamento e estrutura

Cada COE é estruturado de acordo com parâmetros definidos pelo emissor, que determinam vencimento, valor mínimo de subscrição e cenários de rentabilidade. Tipicamente, parte do aporte é aplicada em títulos pré-fixados ou pós-fixados, enquanto o restante é alocado em derivativos ou ativos subjacentes.

Por exemplo, em uma aplicação de R$ 100.000 com proteção total do capital investido, R$ 70.000 podem seguir em um CDB pré-fixado e R$ 30.000 em uma operação ligada a uma ação estrangeira. No vencimento, o investidor receberá o valor inicial acrescido do ganho gerado pelo ativo de risco.

Tipos de COE

Os COEs podem ser classificados de duas maneiras principais: pela proteção de capital e pelo nível de risco.

Para facilitar a compreensão, veja a tabela abaixo:

Os COEs de capital garantido asseguram ao menos o valor investido, ideal para quem deseja retorno previsível sem sustos. Já os de capital em risco oferecem maior alavancagem, mas podem resultar em perda de parte do aporte.

Documentação e transparência

Cada oferta de COE deve vir acompanhada do Documento de Informações Essenciais (DIE), adotado como complemento ao processo de suitability. Esse documento traz dados como modalidade, prazo, cenários de pagamento e descrição dos riscos.

  • Termo de Ciência do Risco: alerta sobre a possibilidade de perda parcial ou total do investimento.
  • Documento de Informações Essenciais: detalha funcionamento, regras e exemplos de rendimento.

Esses documentos garantem que o investidor tenha conhecimento prévio de cenários de retorno e possa tomar decisões informadas.

Vantagens para investidores

Os COEs reúnem diversos benefícios que os tornam atraentes em diferentes cenários de mercado:

  • Alto potencial de valorização sem abrir mão da proteção parcial ou total do capital.
  • Tributação regressiva do Imposto de Renda, favorecendo investimentos de longo prazo.
  • Ausência de taxas de administração, custódia ou come-cotas.
  • Diversificação de forma simplificada, pois o COE engloba vários ativos em um só certificado.
  • Possibilidade de internacionalização em reais, sem abertura de conta no exterior.

Riscos e considerações

Apesar das vantagens, é fundamental avaliar os riscos envolvidos para escolher o COE mais adequado:

  • Risco de crédito do emissor: depende da capacidade de pagamento da instituição financeira.
  • Liquidez reduzida: resgates antecipados podem resultar em ganho inferior ao esperado.
  • Complexidade dos ativos: demanda análise cuidadosa das condições e cenários apresentados.

É importante ler o DIE e considerar seu perfil de risco antes de subscrever qualquer COE, garantindo que as condições estejam alinhadas aos seus objetivos.

Como escolher e utilizar COEs

Para selecionar o melhor COE, siga estas dicas:

1. Defina seu horizonte de investimento: prazos mais longos costumam oferecer cenários com potencial de retorno maior.
2. Verifique o risco de crédito do emissor e a classificação de rating.
3. Avalie o ativo ou índice subjacente, considerando suas perspectivas futuras.
4. Analise o DIE e simule cenários de pagamento conforme sua tolerância a perdas.

Ao aplicar essas etapas, você escolherá um COE que equilibre potencial de ganho e nível de segurança com seu perfil de investidor.

Conclusão

Os Certificados de Operações Estruturadas representam uma solução inovadora e versátil para quem busca diversificar investimentos sem abrir mão de proteção. Com a devida análise, leitura dos documentos e compreensão dos riscos, é possível explorar oportunidades em renda variável, câmbio e commodities, tudo dentro de um único título.

Seja você um investidor conservador em busca de segurança adicional ou um perfil arrojado disposto a correr mais riscos, o COE oferece alternativas para diferentes objetivos. Agora que você conhece profundamente esse produto, está pronto para tomar decisões mais embasadas e explorar todo o potencial que os COEs têm a oferecer.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fábio Henrique, 32 anos, é redator especializado em finanças no passonovo.org, com foco em desmistificar o mercado de crédito e ajudar brasileiros a tomarem decisões mais informadas sobre suas finanças pessoais.