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A Revolução do Banking as a Service (BaaS): Serviços Financeiros Modulares

A Revolução do Banking as a Service (BaaS): Serviços Financeiros Modulares

25/01/2026 - 20:40
Fabio Henrique
A Revolução do Banking as a Service (BaaS): Serviços Financeiros Modulares

O Banking as a Service (BaaS) surge como um marco de inovação, oferecendo a empresas não financeiras a capacidade de oferecer produtos bancários. Essa transformação promete remodelar o setor, unindo tecnologia e finanças em soluções sob medida.

Definição e Escopo do BaaS

O BaaS permite que empresas de diversos segmentos econômicos incorporem serviços financeiros ao seu portfólio. Por meio de APIs, a integração com bancos licenciados cria novas frentes de receita e maior comodidade para clientes.

Esses arranjos operam sobre a infraestrutura de instituições autorizadas pelo Banco Central, garantindo governança, segurança e gestão de riscos conforme regulado. A regulação é clara ao delimitar o que constitui BaaS e o que não se enquadra nessa categoria.

  • Abertura, manutenção e encerramento de contas (depósitos e poupança)
  • Serviços de pagamento pré e pós-pagos vinculados às contas
  • Credenciamento à aceitação de cartões e instrumentos de pagamento
  • Ofertas de crédito, desde a proposta até a cobrança

Importante destacar que soluções de cloud banking tradicionais ou correspondentes bancários não configuram BaaS, pois não envolvem atuação direta de instituições reguladas.

Marco Regulatório e Cronograma

Em 28 de novembro de 2025, o Banco Central e o CMN publicaram a Resolução Conjunta nº 16, definindo diretrizes para o BaaS. As novas regras passaram a valer imediatamente, mas estabeleceram prazo de adaptação.

O prazo final para adequação completa é 31 de dezembro de 2026. Nesse período, prestadores e tomadores de serviço devem revisar contratos, ajustar políticas internas e atualizar mecanismos de compliance.

Quem já operava com contratos vigentes em 28/11/2025 conta com esse prazo para mapear todas as contratações de BaaS, rever cláusulas e implementar controles exigidos pelo BC.

Instituições Autorizadas a Oferecer BaaS

A regulamentação define quem pode operar como prestador de BaaS, ampliando o mercado para fins bem definidos e sob supervisão do Banco Central.

  • Instituições financeiras tradicionais
  • Instituições de pagamento licenciadas
  • Outras entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central

Essa abertura fomenta a competição, mas exige que novos entrantes atendam a rígidos requisitos de capital, governança e tecnologia.

Responsabilidades Claras e Governança

O prestador de BaaS detém confiabilidade, integridade, disponibilidade e segurança dos serviços. Ele é o único responsável por KYC, análise de risco e prevenção a fraudes, lavagem de dinheiro. Essa centralização agiliza a prestação de contas junto ao BC.

Os contratos devem estabelecer, de forma transparente, obrigações de cada parte, cláusulas de remuneração, limites de subcontratação e procedimentos de encerramento, garantindo maior proteção ao consumidor.

Aumento de Exigências de Capital Mínimo

Para reforçar a solidez do ecossistema, o BC elevou a exigência de capital mínimo de cerca de R$ 1 milhão para R$ 7 milhões, podendo chegar a R$ 10 milhões, dependendo da atividade.

Essa medida, embora promova uma aumento de exigências de capital mínimo mais robusto, gera debate sobre o impacto na entrada de novas fintechs. A ABFintechs negocia flexibilizações para não inibir a inovação.

Transparência com o Cliente Final

Os prestadores devem identificar, em todas as comunicações, quem é responsável por cada serviço. A transparência com o cliente final aumenta a confiança e facilita a resolução de conflitos quando necessário.

Essa visibilidade explícita fortalece a reputação das marcas e aprofunda o relacionamento entre clientes, prestadores e reguladores.

Restrição a Múltiplos Prestadores

Cada tomador de BaaS só poderá contratar um único prestador por tipo de serviço. Essa regra visa reduzir riscos operacionais e fragmentação de responsabilidades.

Para comerciantes que já utilizam diversas plataformas, haverá desafios na migração e consolidação de processos, exigindo planejamento estratégico para evitar interrupções.

Restrições para Tomadores de Serviço

O regulamento proíbe o uso de termos bancários no nome social de tomadores não autorizados e impede contratações concorrentes que possam gerar conflitos de interesse ou duplicidade de contas.

Essas limitações protegem o consumidor e preservam a integridade do Sistema Financeiro Nacional.

Consequências de Não-Conformidade

  • Veto ou restrições à contratação de novos serviços
  • Limitação de atuação com prazos para adequação
  • Suspensão ou encerramento de contratos que coloquem o sistema em risco

O BC conta com poder sancionatório para garantir que o BaaS opere de maneira segura e sustentável, preservando a estabilidade do mercado.

Contexto de Inovação Financeira Digital

O Brasil é referência em serviços financeiros digitais, com mais de 70% da população usando soluções online e transações eletrônicas representando mais de 80% do total em 2023.

Além disso, o crescimento do ecossistema fintech no Brasil tem impulsionado experiências totalmente digitais e inovadoras, com destaque para Nubank, C6 e Banco Inter.

Iniciativas como o Open Banking, lançadas em 2021, permitem compartilhamento seguro de dados, promovendo personalização de ofertas e maior concorrência.

Impactos e Perspectivas Futuras

O BaaS abre caminho para novos modelos de negócio, integrando setores como varejo, saúde e mobilidade urbana a serviços bancários customizados. Empresas podem monetizar dados, fidelizar clientes e reduzir custos operacionais.

Para consumidores, a promessa é de aplicações financeiras mais acessíveis e intuitivas, com processos totalmente integrados ao cotidiano digital.

Na prática, para iniciar um projeto de BaaS, é essencial:

  • Definir claramente o modelo de receita e responsabilidades
  • Escolher parceiros regulados com sólida infraestrutura
  • Mapear riscos, implementar KYC e controles de segurança
  • Comunicar de forma transparente ao cliente as parcerias envolvidas

Esses passos garantem um lançamento sólido e em conformidade com a nova regulamentação.

Conclusão

O Banking as a Service representa uma revolução modular, capaz de transformar qualquer empresa em um provedor de serviços financeiros. Com regras claras e maior robustez, o Brasil se posiciona na vanguarda da inovação.

Empresas dispostas a investir em governança, tecnologia e experiência do cliente estarão à frente, aproveitando oportunidades de mercado e contribuindo para a inclusão financeira.

Agora é o momento de planejar, adaptar e lançar soluções que aproveitem todo o potencial do BaaS, promovendo um ecossistema financeiro mais dinâmico e acessível para todos.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fábio Henrique, 32 anos, é redator especializado em finanças no passonovo.org, com foco em desmistificar o mercado de crédito e ajudar brasileiros a tomarem decisões mais informadas sobre suas finanças pessoais.