Em um cenário econômico de 2026 marcado por inflação controlada, taxa Selic permanece elevada e uma dívida pública crescente, empreendedores e famílias brasileiras enfrentam o paradoxo de um crédito cada vez mais caro. Embora o IPCA esteja próximo à meta, em 4,16%, a Selic ainda opera em patamares estreitos, entre 12,75% e 12,25%, limitando as possibilidades de expansão do crédito. Nesta análise, desvendamos as raízes desse fenômeno, exploramos seus impactos setoriais e propomos caminhos para gestão eficiente em juros altos.
Em 2026, o Produto Interno Bruto cresce apenas 1,6%, insuficiente para impulsionar a oferta de crédito e investimentos. Ao mesmo tempo, a dívida pública alcança 83,8% do PIB, pressionando o governo a manter uma política monetária restritiva.
O resultado é um custo estruturalmente elevado do financiamento, que afeta desde grandes empresas até microempreendedores. Embora o crédito privado represente 76% do PIB, traduz-se em empréstimos escassos e caros, especialmente para aqueles com garantias limitadas.
O desafio é ainda maior em um ano eleitoral, quando as incertezas sobre políticas públicas e o risco de risco fiscal elevado restringem qualquer flexibilização imediata das taxas. A inércia dos juros altos, mesmo com inflação sob controle, cria um ambiente de tensão para quem depende de capital de giro e investimento.
Diversos elementos se combinam para manter o crédito em níveis onerosos. Abaixo, um resumo das principais causas:
Esses fatores formam o piso estrutural que dificulta qualquer queda significativa nos juros de empréstimos, mesmo em cenários de inflação mais amena.
Em meio a esse contexto, observa-se uma verdadeira revolução digital no crédito. Fintechs e plataformas online oferecem empréstimos rápidos para nichos específicos, como consignado e operações com FGTS, a taxas frequentemente inferiores às dos bancos tradicionais.
No entanto, para a maioria dos tomadores—PMEs sem histórico robusto ou consumidores de baixa renda—, os custos seguem elevados, muitas vezes acima de 50% ao ano. Essa dualidade de acesso aprofunda o abismo entre aqueles que podem aproveitar a inovação e os que permanecem à margem.
O alto custo do crédito não afeta todos igualmente. Destacamos a seguir os setores mais impactados:
Para equilibrar essa equação, é urgente uma agenda de reformas a partir de 2027. Entre elas:
Essas medidas podem romper o ciclo de desigualdades econômicas profundas e destinar recursos para setores como infraestrutura, educação e inovação.
Diante desse cenário, despontam dois caminhos: o tradicional, de cortes lentos e graduais na Selic, e o digital, de ampliação de plataformas que democratizam o acesso ao crédito. Em ambos, a preparação é fundamental.
Para empresários e gestores, o desafio é adotar estratégias de gestão eficiente em juros altos, buscando renegociação de dívidas, diversificação de fontes e parcerias com fintechs. Para governos e reguladores, é hora de fomentar políticas que estimulem a concorrência e reduzam o prêmio de risco.
Acima de tudo, é preciso manter o olhar atento às oportunidades emergentes. Em um país de contrastes, quem antecipar as tendências do mercado digital poderá transformar o obstáculo dos juros altos em oportunidades emergentes no mercado, garantindo resiliência e crescimento sustentável.
Referências